Desalinho

Quero crer, por certo,
que as doces manhãs,
as cálidas noites,
e até meu passo incerto
não seja uma ventura,
uma luxúria,
uma paz moribunda
nesta ilusão madura,
que eu chamo vida,
e que muitos a deixam aborrecida...
O lixo não é só matéria,
é um pensamento rasgado
de dores sorridentes
dos que não tem ideia.
Não quero ver o desatino
do vento armado,
do mar embriagado
falando em destino.
Desculpas irão murchar
diante das sementes que deixamos blefar...
Ai que saudades! Direi,
da água do pingo da chuva,
do cheiro de um animal,
e da vontade que não forjei.
O tempo não é uma estrada.
Pode ser um socorro.
Um alerta disfarçado,
diante da última cartada.
Escrito por Nadilce Beatriz às 22h34
















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