ESCREVENDO O TEMPO


 
 

Sombra

Sombra

A sombra é pouca e sem nome

Por onde anda toda loucura

De uma guerra que nada tomba.

Só padece o que já morreu.

Aquele que vive

Ainda assombra

A ideia do eterno grito ateu.

 

Com calma o mundo anda,

Catando espaço e tempo

Nos homens que juram possuir alma,

Assim, numa curta caminhada.

Por que tudo é nada,

Se a vida espalma

Uma ilusão ilhada?

 

A sombra,

Que guarda o passado,

Assombra o futuro.

A calma,

Que acalma o presente,

Esconde a fúria,

Semente da sombra.

 



Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 21h47
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Tudo e Nada

Tudoenada

Se fosse um pouco...

Se tudo fosse um minuto.

Todo amor arguto.

Célere e sem história,

incauto coração fingido

a perder-se sem glória...

 

Com vagar o sentimento,

inebriante, com cheiro de querer,

vaga incólume sem saber

num rosto faminto de amor.

Do riso ao pranto, nada espera.

Simples assim, só o Criador.

 

Então o poeta inventou o instante

entre o beijo e um suspiro.

Fanfarronice escrita em papiro,

algo apoucado que foge da vida,

de um amor que conflita a existência,

para uma longa caminhada atrevida.

 

E é tão pouco este usufruir,

que traz no corpo um abandono

Qual teto ou asilo sem dono,

lamuriando em pautas os desejos,

germinando assim um louco infinito,

e desafinando os sons de realejos.

 

 



Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 20h47
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MEU PAI (in memoriam)

Meupai

 

 

Neste tempo onde vi a partida sem rumo,

acossada a meu pranto, a dúvida cresce.

Talvez eu não tenha a alma dos sensatos,

ou perdida, só sei andar com sapatos.

Cresci com o medo de não ser uma filha,

crendo que ser criatura, seria meu rumo,

e hoje recolho uma lágrima que adoece.

 

Ao dar ouvidos às falhas que não cometi,

perdi teu passado que também foi dorido.

Como eras assim, cavalheiro maldito,

Conhecido ou olvidado e nada escrito?

Cresci com vontade de ser tua filha,

inequívoca, foi um tempo que nada entendi,

adiando assim,  teu tempo de ser  querido.

 

Mas a eternidade é um alento agradecido.

Partidas e regressos só trazem a esperança.

É provável que o tempo conte a melhor história,

pois a vida é que possui a infinita memória.

Perdi teu regaço, pois tive medo de ser filha,

pelos pedaços de um rancor ensandecido.

Espero agora, do Universo, uma nova aliança.

 

Então, meu pai, as faltas estão esmorecidas.

Pássaros cantam a mesma canção alada.

O destino jamais cobrou teu passo vacilado,

mesmo que teu nome esteja em relevo caiado,

guardo-me de erros, e na alma, como tua filha,

esperando nova infância sem despedidas,

através de um ventre sem hora marcada.

 



Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 19h36
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Farol

 

Farol

Ondas do mar atracam na praia,

como navios bandidos,

esguios e mal queridos.

Vindas de portos suspeitos, quiçá,

filhos em vários leitos...

Ao farol nunca pediram guarida

em prol de tanta despedida.

Sofrendo uma agonia,

nem o brilho deste, de algo valia.

Iam assim, vadiando dia a dia a quedar-se no atol.

Mansas, ensandecidas, a jurar amor por este farol.

Jogavam-se contra as tempestades,

sem maldades, maniqueístas despojadas

a mostrar, já defloradas

o quão sereias poderiam tornar-se,

para com este farol a revoltar-se.

Mal intencionadas, atiravam-se dos fiordes

a alcançar prazeres abissais.

À noite, surgem exaustas, ignoram os sinais

do medo de um longo e intrépido dia,

extasiando assim, a mansidão do breu.

O mar precisa dos olhos do atento farol,

saciado de ondas amantes do vento,

E quando o sol raiar, sem alento,

renovar-se-ão nas orlas e maresias

Igual marujos em orgias.

 



Categoria: prosapoetica
Escrito por Nadilce Beatriz às 20h50
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Passarinho

 

Passarinho

 

Tanto voo faz o pássaro madrugador,

para retornar ao ninho

onde há passarinho.

onde há amor.

Ele é um galanteador em desalinho.

 

Tem como destino um parco vizinho,

de implacável faro inquisidor.

Um gato sem cor.

Rosto traidor.

O homem mesquinho, seu predador.

 

Sua vida pode ser de grande pensador,

quer ser de todos, adivinho.

Ensina-lhe a dor

sem pudor.

Grande aliciador de um pequeninho.

 

Um dia o mundo será passarinho,

posto que tudo é caminho.

O tempo seu padrinho,

e o homem sozinho,

a adjudicar amor sem ter um ninho.

 

 



Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 22h11
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Liberdade

Liberdade

 

Sublime paladino de luz e deidade

Acuda meu crime

Destranquei as portas da liberdade

Os pássaros fugiram

Esgotaram-se as asas

Barra-me os caminhos

Agora, por pura vaidade, busco a verdade

 

Acuda meu passo

Os degraus ultrapassam os tempos

Minha canção chora

A água é salgada

A pedra é areia

Vou de encontro a obscenos ventos

 

Acuda minha coragem

Frágil quadrela que para nada serve

Descalça vai a ilusão

Da-me a letargia

Paciência para o repouso

Porque liberdade cega, fere e ferve

 



Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 22h56
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Alheio

Alheio

 

Veja, o tempo só passa alheio

Se passar festeiro

Roubar-te-á de permeio

Ainda ficará insolente

A mostrar-te a corrente

Que podes, ao todo, enroscar-te

 

Será que chorar pelos abandonados

Sem ter pecados

Seriam prantos inválidos?

Vertigem, esta tragédia planejada

Aqui se chora à beira da estrada

Mesmo sem ter chão

 

Quando encontrares muitas flores

E creres em espinhos indolores

Ilusões serão favores

De um total devaneio intrigante

Capaz de perfumar num instante

Até onde existir o amor

 

E por não saber ver o alheio

Alimenta-se do mesmo centeio

Farto ou sem meio

É temer a terra firme que passa

 Contrariar o amor em graça

 Para despedir-se sem adeus.

 

 



Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 21h42
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CONCURSO DE TROVAS

http://

Data: 07/08/2011 - Hora: 13,hs

Local: Caxias do Sul

IV CONCURSO ESTADUAL DE TROVAS



Categoria: Evento
Escrito por Nadilce Beatriz às 14h33
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Minha Terra

 

MinhaTerra

Estrada de chão batido, pedras e pó

a espera da chuva,

num verão com gosto de saudade,

tentando esconder um inverno aturdido.

 

As colinas pareciam que andavam,

esquadrinhando o tempo.

Roubavam as primaveras gestadas,

dos outonos que padeciam.

 

Aquele povo, de tantos rios livres,

não lamentava,

nem cobrava da imprevisível natureza,

perdas de alguns de seus recantos.

 

Tão tenra era a terra respeitada,

que as árvores respondiam.

Brincava-se com a vida e o medo,

sem saber que logo adiante havia guerra.

 

Aos que amam de fato o passado,

lá deixaram suas verdades.

Talvez um pranto com gosto ardido,

ao perder uma amizade por falta de tato.

 

O cheiro do mato, o gosto das luas,

um sino que grita,

na solidão de uma trama desdita,

que já fez guarida numa nevada de agosto.

 

Sob o cimento vaidoso e inclemente,

dormem cânticos de natal.

Donzelas e moços, são sonhos alcoviteiros,

de um período sábio e nem tanto idoso.

 



Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 16h04
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Meu Medo se chama Tempo

medo

 

Cativo a noite sem espaços,

naufragando em sonhos

sem água ou pó,

num açoite alógico em meus traços,

onde o tempo molesta

minh’alma sem dó.

 

Trafico o dia para a madrugada,

ninando os medos

desta vida sorrateira,

numa agonia vil e acossada,

gestando o silêncio,

para o espinho da roseira.

 

A era infinita prende-me os pés,

como corista não danço,

mas me encanta a flor

numa erudita ilusão de viés,

lastimando as perdas,

fugindo do tempo a rigor.

 

Dos inéditos fins usurpo meios.

Assim calo a lágrima,

que é célere a todo o tempo,

sem créditos abandono meus anseios,

mas não morro na inércia,

e pode ser que eu volte com o vento.

 



Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 17h12
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XII Concurso de Trovas Literárias e Poesia

Data: 10/06/2011 - Hora: 10:hs

Local: Praça Dante, Caxias do Sul

Encerramento da Semana do Meio Ambiente.

Contemplada com  troféus de 1º lugar em Trovas e 3º em Poesias.



Categoria: Evento
Escrito por Nadilce Beatriz às 16h00
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Felicidade

Felicidade

 

Felicidade tem cor de alegria

Cheiro de chuva...

Cachorro molhado

Passarinho no sobrado

Apagando a nostalgia

 

Uma florzinha de mato

E uma colherada de mel

Um coração batendo asas

Abrindo as portas das casas

Onde felicidade é fato

 

Um amor repentino

O sol de toda manhã

A sinfonia que faz um rio

Acordando um sono vadio

Trazendo um luar peregrino

 

Meia maçã mordida...

E a felicidade é viver de si mesmo

Um filhotinho aquecido

Uma amizade de abraço estendido

Numa saudade bem vivida

 



Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 21h36
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Verdades

 

 

Verdades

Vou com vagar, compreender verdades.

Onde há uma mentira,

Quem sabe,

Eu faça parte dela, ou seja ela.

Sei que não há amenidades

Se sentir a vida com os passos dos anos,

Mas ficarei sob o sol,

Para não cair na treva.

 

De todos os versos que fiz, ou pensei

No mais sincero, há ilusões.

Pouca realidade,

Grande quantia de anos sem garantia,

E ainda juro que sonhei.

Aos cuidados do tempo deixo em letras

O que o destino levou,

Para eu o seguir sem medo.

 

Hoje peço a Deus: ‘Senhor apaga tudo!’

Tua mensagem ninguém entendeu,

Que até a piedade esqueceu da justiça.

Somos tão ‘ninguém’,

Que podemos recomeçar assim, como viemos.

Peço paciência para crescer mais um pouco, contudo

As verdades temem asa eras.

É necessário procurar pegadas perdidas.

 



Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 14h14
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Vento e Vida

VentoeVida

A vida é igual ao vento no meio da floresta,

Faz cair a folha,

Para proteger a semente que se manifesta.

Traz o cheiro da estrada, que ainda se oculta

No coração da terra,

Com a vida que não quer ficar adulta.

 

O homem protege-se deste vento louco

Sob o medo, e sobre a sombra,

Socorrendo o tempo que não é pouco.

Mas a trama que faz doer a treva,

Não embala o sonho,

Traz no colo a espera, que a força não leva.

 

Então, a morte não chega com o vento,

Porque a flor ainda não dobra,

E nem o Universo para existir, faz lamento.

Ergue-se como a guerra, o grito de vida

Na boca de todo que ama.

Exala a proteção Elemental da acolhida.

 

 

 



Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 22h10
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Universo

Universo

Ouvi as estrelas caminhando numa noite sem fim

Quais monges iluminados para o sagrado

Andavam a cata de homens felizes

Sem reparar em mim

Encontraram matizes

Nas asas quebradas de um solitário querubim

 

É coerente o Universo, quando fende o incauto

É um mero canto que a luz não expande

Explícito como a morte da estrela

Sou como o arauto

Porta voz de procela

A navegar neste ventre eterno, divino e lauto

 

Bem acima do pensamento está a procura da vida

Que a filosofia deixou escapar com as dúvidas

Mas a esperança não calou a humanidade

Canto agora iludida

Com toda liberdade

A prova nefasta que o tempo me quis dividida

 

E no silêncio do caos passos de nuvens escondem

As secretas mentiras contadas de novas eras

Para moucos que falam e nada veem

Em minh’alma distendem

O que ela mais tem

A guerra incontida donde os mundos procedem

 



Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 20h04
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