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Deus para Mãe

Só Deus sabe: Por onde anda o tempo Como se abrem as portas O que é chorar com antecedência O caminho mais curto Como se chegar à humildade Que o perfume da flor Às vezes está na raiz... Só Deus sabe: Quando os olhos fecham-se Que a saudade é uma caridade da felicidade Onde se guarda a esperança Quanto custa sentir piedade Para que servem tantas vidas Que o frio nem sempre está lá fora Que a paz não vive sozinha... Mas, Só uma mãe sabe quem é seu filho E mesmo assim, antes ele conhece a Deus.
Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 21h33
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Para o Amanhã

O amanhã é um final de tarde. Um mito, ou uma longa nostalgia. É uma louca alegria, e se nada for dito é uma maldita vaidade. Memórias que corroem o tempo sem piedade, esburacando uma despedida sempre mais ardida, e sem caridade, neste nada, eu acredito. Carrego uma árvore em meu colo como um enfeite. Os brotos ainda estão vazios, florescem como os rios, e para meu deleite, o amanhecer não terá conflito. O amanhã possui melodias inéditas iguais à primavera. Um êxtase abraçado à esperança. Viver e morrer à semelhança de uma lágrima sincera naquilo que ainda não foi dito.
Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 21h17
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Pouco Homem e muito Tempo

Não faz tempo, a estrada estava sozinha O homem era pleno Os caminhos eram únicos O homem era o Universo Era a estrela vizinha Agora, o tempo é usurpado de surpresa Preso aos sons e as cores Graças às épocas infinitas O homem joga com a vida Porque o destino não é uma presa Através do amor, passam guerras e vitórias E era uma vez uma paz Onde o homem mirava seus pés Porque eles pisavam a terra Sem calejar as memórias Há pouco tempo, a lua só era uma linha E o homem era uma esperança Foi de repente, e evoluiu na dúvida Um homem só de mistério Esquivo qual andorinha Se existe uma despedida, que seja no infinito Aqui morre homem e vive o tempo Nada fica tão solitário Quanto viver de universos Temendo uma estrada e um anjo em conflito...
Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 13h17
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Se eu Pudesse Recomeçar

Nada finda Nem a partida que tentei empreender Quando aqui aportei Numa nau sem ida e nem vinda Do passado Trago uma felicidade incompreendida Da vida que se inicia Num segredo todo errado Se eu pudesse recomeçar Estenderia a mão a meu doce anjo Não ocultaria suas decepções Usaria suas asas para voar... Hoje é presente Viver é simples como uma branda nuvem Complexo como tentar galgá-la Através de astro distante e cadente O futuro não tem portas Minh’alma escolhe uma ilusão infantil Para brincar de criação Sob tantas ideias tortas! Se eu pudesse recomeçar Teria certeza que minha oração vingaria O amor me traria Deus E toda a esperança para abraçar... O que será que perdi? Tanto perdi Onde, aonde... Se eu pudesse recomeçar Diria que parti.
Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 22h48
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Relógios

Milhares e milhares de números, o relógio do tempo possui. A vida, então, vem com toda velocidade, não traz nenhuma idade, somente um destino que evolui. E quando a ciência descobre a morte os números fartam-se de fantasia, e o relógio deixa passar as visões dos loucos cheios de ilusões, no pulso, na parede, ou num dia. Assim é, porque “será”, ainda não tem história. ‘Marque hora, e o tempo lhe roubará a tolerância’. Mundo teatral de cenas inacabadas! Tanta fé e glórias abençoadas! Os ponteiros não vivem da mendicância. Passam os números, homens e os mundos, por caminhos obscuros na pressa de fugir. Um sorriso grisalho de cabelos coloridos... Mas quê! São minutos fingidos, pois que, para viver tem que existir.
Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 22h36
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Alva Noite

Gosto da noite, porque não é treva. É simples visão noturna, é o devaneio no olhar do gato. Tão exato este mistério, que para o Universo peço pernoite. Fiz da música um paraíso intocável, onde a noite é sempre alva. Com o devaneio e o faro do felino de um ladino coração, a atormentar uma jornada senil e lúdica. E a treva insiste agarrada num sol azul, como se uma lembrança fosse numa faina de criações indomáveis, em mutáveis sentidos, sempre que o tempo diz que nada existe Fiz o que vive o nada, no sereno com sabor de lua. Meticulosa esta noite alva e eterna! Que figura inquieta este inútil entardecer! Sem parecer neófito, para meu regalo de alma quebrada.
Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 17h04
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Realmente 
Vou morrer no cansaço dos que vivem no ócio Num fremir de procuras Num ‘talvez’ que não duvido Mas que existe nas fissuras Do medo de que tudo seja eterno, realmente Deixo meu querido amor perdido no tempo Há de chorar, estou de partida Retorno em pedaços em seu pranto Na esperança aguerrida Da velocidade da existência, realmente Não há socorro para o destino que se revolta Impele a nau para o nada Vou deixar cair a âncora no acaso Com o murmúrio de alma marcada Findo a jornada com todos, adeus, realmente.
Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 21h05
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Sombra

A sombra é pouca e sem nome Por onde anda toda loucura De uma guerra que nada tomba. Só padece o que já morreu. Aquele que vive Ainda assombra A ideia do eterno grito ateu. Com calma o mundo anda, Catando espaço e tempo Nos homens que juram possuir alma, Assim, numa curta caminhada. Por que tudo é nada, Se a vida espalma Uma ilusão ilhada? A sombra, Que guarda o passado, Assombra o futuro. A calma, Que acalma o presente, Esconde a fúria, Semente da sombra.
Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 21h47
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Tudo e Nada 
Se fosse um pouco... Se tudo fosse um minuto. Todo amor arguto. Célere e sem história, incauto coração fingido a perder-se sem glória... Com vagar o sentimento, inebriante, com cheiro de querer, vaga incólume sem saber num rosto faminto de amor. Do riso ao pranto, nada espera. Simples assim, só o Criador. Então o poeta inventou o instante entre o beijo e um suspiro. Fanfarronice escrita em papiro, algo apoucado que foge da vida, de um amor que conflita a existência, para uma longa caminhada atrevida. E é tão pouco este usufruir, que traz no corpo um abandono Qual teto ou asilo sem dono, lamuriando em pautas os desejos, germinando assim um louco infinito, e desafinando os sons de realejos.
Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 20h47
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MEU PAI (in memoriam)

Neste tempo onde vi a partida sem rumo, acossada a meu pranto, a dúvida cresce. Talvez eu não tenha a alma dos sensatos, ou perdida, só sei andar com sapatos. Cresci com o medo de não ser uma filha, crendo que ser criatura, seria meu rumo, e hoje recolho uma lágrima que adoece. Ao dar ouvidos às falhas que não cometi, perdi teu passado que também foi dorido. Como eras assim, cavalheiro maldito, Conhecido ou olvidado e nada escrito? Cresci com vontade de ser tua filha, inequívoca, foi um tempo que nada entendi, adiando assim, teu tempo de ser querido. Mas a eternidade é um alento agradecido. Partidas e regressos só trazem a esperança. É provável que o tempo conte a melhor história, pois a vida é que possui a infinita memória. Perdi teu regaço, pois tive medo de ser filha, pelos pedaços de um rancor ensandecido. Espero agora, do Universo, uma nova aliança. Então, meu pai, as faltas estão esmorecidas. Pássaros cantam a mesma canção alada. O destino jamais cobrou teu passo vacilado, mesmo que teu nome esteja em relevo caiado, guardo-me de erros, e na alma, como tua filha, esperando nova infância sem despedidas, através de um ventre sem hora marcada.
Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 19h36
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Farol

Ondas do mar atracam na praia, como navios bandidos, esguios e mal queridos. Vindas de portos suspeitos, quiçá, filhos em vários leitos... Ao farol nunca pediram guarida em prol de tanta despedida. Sofrendo uma agonia, nem o brilho deste, de algo valia. Iam assim, vadiando dia a dia a quedar-se no atol. Mansas, ensandecidas, a jurar amor por este farol. Jogavam-se contra as tempestades, sem maldades, maniqueístas despojadas a mostrar, já defloradas o quão sereias poderiam tornar-se, para com este farol a revoltar-se. Mal intencionadas, atiravam-se dos fiordes a alcançar prazeres abissais. À noite, surgem exaustas, ignoram os sinais do medo de um longo e intrépido dia, extasiando assim, a mansidão do breu. O mar precisa dos olhos do atento farol, saciado de ondas amantes do vento, E quando o sol raiar, sem alento, renovar-se-ão nas orlas e maresias Igual marujos em orgias.
Categoria: prosapoetica
Escrito por Nadilce Beatriz às 20h50
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Passarinho 
Tanto voo faz o pássaro madrugador, para retornar ao ninho onde há passarinho. onde há amor. Ele é um galanteador em desalinho. Tem como destino um parco vizinho, de implacável faro inquisidor. Um gato sem cor. Rosto traidor. O homem mesquinho, seu predador. Sua vida pode ser de grande pensador, quer ser de todos, adivinho. Ensina-lhe a dor sem pudor. Grande aliciador de um pequeninho. Um dia o mundo será passarinho, posto que tudo é caminho. O tempo seu padrinho, e o homem sozinho, a adjudicar amor sem ter um ninho.
Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 22h11
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Liberdade

Sublime paladino de luz e deidade Acuda meu crime Destranquei as portas da liberdade Os pássaros fugiram Esgotaram-se as asas Barra-me os caminhos Agora, por pura vaidade, busco a verdade Acuda meu passo Os degraus ultrapassam os tempos Minha canção chora A água é salgada A pedra é areia Vou de encontro a obscenos ventos Acuda minha coragem Frágil quadrela que para nada serve Descalça vai a ilusão Da-me a letargia Paciência para o repouso Porque liberdade cega, fere e ferve
Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 22h56
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Alheio

Veja, o tempo só passa alheio Se passar festeiro Roubar-te-á de permeio Ainda ficará insolente A mostrar-te a corrente Que podes, ao todo, enroscar-te Será que chorar pelos abandonados Sem ter pecados Seriam prantos inválidos? Vertigem, esta tragédia planejada Aqui se chora à beira da estrada Mesmo sem ter chão Quando encontrares muitas flores E creres em espinhos indolores Ilusões serão favores De um total devaneio intrigante Capaz de perfumar num instante Até onde existir o amor E por não saber ver o alheio Alimenta-se do mesmo centeio Farto ou sem meio É temer a terra firme que passa Contrariar o amor em graça Para despedir-se sem adeus.
Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 21h42
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CONCURSO DE TROVAS
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Data: 07/08/2011 - Hora: 13,hs
Local: Caxias do Sul
IV CONCURSO ESTADUAL DE TROVAS

Categoria: Evento
Escrito por Nadilce Beatriz às 14h33
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