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ESCREVENDO O TEMPO


 
 

Desalinho

 

Desalinho

 

Quero crer, por certo,

que as doces manhãs,

as cálidas noites,

e até meu passo incerto

não seja uma ventura,

uma luxúria,

uma paz moribunda

nesta ilusão madura,

que eu chamo vida,

e que muitos a deixam aborrecida...

O lixo não é só matéria,

é um pensamento rasgado

de dores sorridentes

dos que não tem ideia.

Não quero ver o desatino

do vento armado,

do mar embriagado

falando em destino.

Desculpas irão murchar

diante das sementes que deixamos blefar...

Ai que saudades! Direi,

da água do pingo da chuva,

do cheiro de um animal,

e da vontade que não forjei.

O tempo não é uma estrada.

Pode ser um socorro.

Um alerta disfarçado,

diante da última cartada.

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 22h34
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Terra

 

terra

 

A terra é viva como a esperança

Ela não chora, não grita

Nem sorri, no entanto...

A terra que piso só tem um abraço

De um homem bonito

E com o tempo e a vida fez uma aliança.

 

Sou animal que ganhou raciocínio

É provável que nenhuma máquina cortará

O nó que ata tanto encanto...

É desta terra que retiro a música inaudita

Que só o Universo compõe

Mas somente o amor tem seu domínio

 

Na terra faço rabiscos inquietos e espero

Pedaços de infinitos em pequenas felicidades

Até na lógica existem prantos...

As sementes crescem para as flores

Dentro ou fora do fruto a alma eterniza

E ir para casa, é tudo o que mais quero.

 

 



Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 23h09
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Esta Tarde

 

tarde

 

Macia e sem máculas é a tarde

Que o sol beijou

Deixou quedar

Fez-se amar...

Esta tarde ilibada, amante de outonos

Garbosos indomáveis

São nobres

E bem pobres...

E o vento passa com sua nobreza

Acaricia cabelos

Soltos, presos...

Caídos ou tesos

Esta tarde que espera o noturno

Um senhor vagabundo

Pedinte loquaz

D'um aroma mordaz...

As horas vagabundeiam na espreita

A cata de noites

Gestadas de alardes

Caladas e covardes...

E o vento insano corre tal foragido

Carrega esta tarde

Única senhora

Que não padece na aurora.

 

 



Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 22h49
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Flor

 

flor

 

 

Possuo uma flor pendurada no céu de minha alma

Ela possui qualquer cor

Um dia é semente

Noutro botão

E hoje é flor

 

Mesmo que a morte murche suas pétalas

Sou uma esperança de sorte

Porque vivo o presente

O passado é espião

O futuro meu consorte

 

Se guardo as letras sufocadas num livro

Como flores amassadas

Qual sentimento ausente

É como perder o filão

Do ouro em águas passadas

 

 

 



Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 22h38
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Gato

 

Gato

À noite, é sutil e surpresa

Perambula na loquaz criação

Seu antepassado reflete à nobreza

 

Inspirou ao Ninja a magia da invisibilidade

Seus olhos mistificam o oculto sem ser o vilão

Apesar de lograr sete mortalhas, ainda é eternidade

 

Seu afeto só pede um dono com muito tato, sem vaidades

Apesar de fingir ser manso, ainda é um fingido gato displicente

Acarinhado por deuses ou deusas é fugaz, ágil sem deter maldades

 

Aos que dele desfrutam o ronronar na mansidão de sua total alcova

É provável que o idolatrem sem medir sua singela inocência

Posto que é carnívoro pertinaz,  o leite não é sua trova

 

Quieto como a canção que faz ninar a alma da noite

Espreita nossos sentidos como experiente mago

Passa da farsa ao desplante como um açoite

 

Quem não dá colo a este manhoso?

A este animal feito de eternidades

Vindo de algum astro honroso.

 


 

 



Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 22h15
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Sonhando Vida



Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 01h03
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caos

 

 

 

Bem no alto, mais acima que o pensamento

O caos fez um juramento

Se a vida não tiver paz

Nenhum homem terá complemento   

E nesta instância, de silêncio e pandemia

Até a dor é alegria

E se os pássaros cantam na juventude

É porque a velhice é uma alegoria 

Mas espera, há caminhos que estão chegando

E andarilhos voltando

Todos querem os tempos da promessa do caos

Alhures às medidas de contrato

Ferozmente continuam andando

A distância vem esbaforida e fingida

Tocando uma alma encolhida

Já de bagagem feita

Não sabe se foi acolhida, vai indecisa...

 


 

 

 



Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 23h26
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Cão Morto

 

 

 

O cão morto na beira da estrada

Me fez chorar pelo mundo

Pelo imundo sacrifício que esta alma inconsciente aqui veio parar

Param para admirar este montinho sem vida

Quem foi? Quem será? Quem é..?

Isto é, somente um cão sem amores, sem misericórdia humana

Um cão morto na beira da estrada

Sob a chuva...Morto e molhado...

Quiçá adorado, por alguém estúpido também sem morada

Param para admirar, eu paro para orar

Fazer meu voto de desejo

Como tu, eu farejo tão pouca esperança para tua curta vida

Que haja um Deus, um Paraíso, outra Vida para onde irás.

 

 

 



Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 22h52
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FELIZ 2013



Categoria: Evento
Escrito por Nadilce Beatriz às 19h48
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FELIZ NATAL 2012

NATAL 2012



Categoria: Evento
Escrito por Nadilce Beatriz às 19h46
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Morte no Outono

 

mortenooutono

 

A morte é quieta nas horas silenciosas

Do nobre galho viril queda a folha

E aos poucos caem todas, todas ociosas

 

Ai que dor a face deste tronco apresenta

Justo agora, o pintor libera a inspiração

É já uma árvore nua, sem vestimenta

 

Dirá o autor, que sou um outono hostil

Rústico escultor de ideias ébrias e vãs

Minha primavera não se mostrará senil

 

Duvido que o medo do frio se esconda

Pois nua  é a verdade, malta de dúvidas

Em cada folha morta a saudade sonda

 

 

 



Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 22h36
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Escalada

 

 

 

Do outro lado da montanha, há outra montanha

Composta de pensamentos

Que falam de cá

Mas nunca conseguem compreender os de lá...

Ai que dúvida estranha! 

Mesmo que a arrogância sobrevoe seu rústico teto

O tempo só vê a humildade

Do vento calado

Soprando sobre um abismo sereno e deitado...

Quase um segredo abjeto! 

A alma é um cais em porto inabalável e derradeiro

Universo difícil de alcançar

Questiono a caminhada

Pertinaz, sem descida e nenhuma escalada...

Cadê todo o meu roteiro? 

Arrasto os horizontes repletos de doces pontes

Cobertos de auroras azuis

De ecos portentosos

Lá em cima mesmo desonesto, os versos são airosos...

Cá em baixo procuro as fontes!

 

 



Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 21h58
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Meu Pai

 

pai

 

Foi embora, faz pouco, mas ele nunca se perdeu
Ecoante sino de uma capela já canície
Dito adeus, e em mim tudo doeu
Viveu sua vida na superfície
Da mentira de ser ateu
Ora, eco de planície
Meu pai feneceu

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 22h05
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Nunca Será

 

nuncasera

 

Espero o canto

Que nem o passado esperou

Simples, indócil

Incerto destino

Com causas trouxe certeza

Quebrando em mim todo encanto

 

Falo com a voz

Que é de um silêncio vagabundo

Coagindo as calúnias

Dando abrigo à vida

Onde o tempo, sua luta doou

Fazendo do medo meu sutil algoz

 

Invento um destino

Sem uma paz inventada

Impune ao ego

Fazendo do segredo um apogeu

Onde todas as mentiras Já são feitas

De um amor tão pequenino

 

Dentro da alma

Toda a vida insana adentrou

Crua e sábia

Chorando saudade aqui e alheia

Mesmo que o tempo não pare de chorar

Minha era brota com calma

 

 

 



Categoria: poesias
Escrito por Nadilce Beatriz às 17h34
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Espelho

Espelho



Categoria: prosapoetica
Escrito por Nadilce Beatriz às 17h14
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