Louca

Se um dia eu ficar louca

Irei usar o pensamento em prol do nada

Nada que eu tenha inventado

Serei tão tantas...

Tão vidas fugindo pelas portas e janelas

Que nem eu saberei se estarei presente

Nos sentidos

Serei eu infinita?

 

Se um dia me encontrarem louca

Saberão que aprendi a orar inerte e calada

Que vi o mundo assustado

Regando plantas...

Que enfeitavam avenidas e ruelas

Como se sonhar em demasia fosse acidente

De sorrisos desvalidos

Não serei maldita?

 

Se um dia me chamarem de louca

Direi que passei pelo acaso sem escada

Voei com o tempo alienado

A cata de heranças...

Mordendo os desertos como as gazelas

Sem deixar meu peito descrente

Confiando em prantos coloridos

Serei alma aflita?

 

Se um dia disser que estou louca

Poderá ser verdade, estarei resguardada

Para o todo inusitado

Como as crianças...

Nada fica solitário trancafiado em celas

Minha loucura será minha confidente

E terei sonhos agradecidos

Não serei só uma visita?