Pedinte

 

Nem sempre um mendigo quer alimentar-se

Nem sempre a água lhe sacia a sede

Nem sempre um teto lhe serve

Nem sempre quer caridade

Nem sempre é solitário

Nem sempre é pobre

Nem é para sempre.

 

Que sempre desejará perambular no mundo

Que sempre esteve farto de verdades

Que sempre a piedade lhe cai bem

Que sempre sente saudade

Que sempre está calado

Que sempre é dócil

Que é para sempre

 

Existe sempre uma estação que lembra o frio

Existe sempre tudo fora do tempo

Existe sempre uma amenidade

Existe sempre o alheio

Existe sempre nada

Existe sempre a si

Existe sempre

 

É para sempre o destino que finge omissão

É para sempre o porquê de viver à toa

É para sempre pedir um abraço

É para sempre dançar ao léu

É para sempre sonhar só

É para sempre um tudo

É para sempre ser

 

Nem sempre tão pobre, rico, mas humilde

Nem sempre bebendo água da chuva

Nem sempre crer em esmolas

Nem sempre pedir para si

Nem sempre ver outrem

Nem sempre só ouvir

Nem sempre assim.